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O despertar de Luzia / Júlio Paiva 2017

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Acordei, e vejo que se minha alma não evapora-se em sonhos de vento e calcário, e se minha alma nunca sedimenta-se os anos idos que findo solitário, jamais seria descoberto,  porém não sou homem invisível, e por isso meu registro em pedra e carvão, eterna solidão, que eu não admito, assim risco de vermelho carmim, outros homens depois de mim, assim, caçando veados, e preguiças gigantes que eu não caço, e sem sinal de diálogo, choro no silêncio das catedrais de carbono, com água de cortar minha rocha e fazer lágrimas de espeleotemas tristes, dou forma, que ironia, pois sei que a água deste rio claro que me mantém vivo é a que me rouba, passo a passo, levando meus pedaços, ano após ano, eu sou fragmentado pela chuva que cai da terra, vertendo tudo o que penso e não revelo, em nenhuma oração, jamais saberão que fui eu que fui o primeiro, mas se eu não escondo essa urna, este pedaço de fêmur, este crânio zombeteiro, que zomba de mim, querendo ser o primeiro. por quê? Por que reaparece ne…