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Mostrando postagens de Janeiro, 2015

Educação à brasileira / Conto erótico

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João do muro era um homem de fé na largura e peso do seu arrimo, incorruptível prumo que já media e recusava o trabalho oferecido pelo vizinho, pois de pedreiro não trabalhava mais, bebia sua liberdade no bar da esquina e gritava com o filho trêmulo que odiava avisar ao pai que a mãe lhe cobrara o pão, o trigo, a sorte de um destino, o casamento obrigatório, com papel assinado em cartório e registro, mas como se nem o menino tinha papel passado, certidão de nascimento, nem o filho tinha registro, que dirá a mãe em uma casa de palha onde o dono é ferreiro de pau e sua alma não tem fundação no lodo solto em cima de caranguejos, mangue-lentos, pois João era assim escondido na lama cinza, ele bebia e dormia sem uma palavra, dormia pendurado,  na rede de contas, dívidas compradas no crediário, mas que João crê que a árvore da providência, além do óleo ou das folhas que cobrem suas casas, seria suficiente para pagar as dívidas da mercearia e da alma de todo bom sertanejo.  João era assim, …