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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

A nova lei dos evangélicos / conto erótico

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Meu pai era um esteta compulsivo e ele não resistia as cores, queria ter para si o arco-íris que do alto iluminava e coloria o céu após a chuva , mas o arco-íris, colorido demais, ignorava o negro da lua que noturna sim, era a verdadeira cor. Penso que bem-aventurado seja o homem que inventou a janela, mas o milagre esta na noturna paisagem. Vejo e não culpo ninguém, ainda que se da folha o vento faz a árvore, que cresça, ainda que o rio no reflexo me mostre a face, o defeito é meu. Pobre meu pai, que não entende isso, mas não o criador. Meu pai crê que o problema da janela é culpa da paisagem, diz que o problema é do feitiço que o vizinho lhe armou, mas o homem omisso é sim aquele que acredita em feitiço e nas vestes de quem reclama. Meu pai reclamava demais, não largava da chapa de sua coluna que exibia com orgulho seus defeitos e orava pedindo a cura, e eu dizia: vigias pai, mas não os defeitos de tua coluna, ora pelos teus olhos que verás sua conduta. Ele não via, mas minha mãe q…

O escritor ciente / Júlio Paiva

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Ele era um escritor esferográfico e agulhava o papel combinado entre linhas e palavras para a denúncia, mas a poesia imaginista que lhe fervia a mente, era a pintura, palavra cinematográfica que ele inventara da necessidade do querer fazer ver; e fez. Não que escrevesse roteiros, muito pelo contrário, queria a prosa poética como dramaturgia de cores, e por horas percebeu o ritmo, então a necessidade do estilo era entregar o tempo e as ideias que vivem no ar. Haviam lhe roubado, mas quem, quem era o culpado, e por que o uso da literatura poética se o verniz da prosa poética criava o ritmo de transformar a frase reta em uma curva esférica. A curva me tomaria o tempo  por longos dias trancado no meu quarto, mas, eu sou ator, muito antes de ser escritor, então eu poderia dirigir a palavra: o teatro, o teatro da linguagem. Por meses trancado de porta bege, janela cinza e paredes verdes que eu mesmo havia pintado, escrevi nos muros, nas paredes do meu quarto, procurando saída para a solidã…

A operadora de telemarketing e o suicida / Conto

A operadora de telemarketing e o suicida

Eu sou um suicida, eu vou me matar! -Senhor, o senhor é um suicida? -Sim. -Então se o senhor é um suicida  não precisa dizer que vai se matar, a ideia já está contida no próprio suicida, isso seria redundância. -O quê? -Redundância, prima-irmã do gerundismo. -Ora, senhora operadora, nem me fale em família. -Senhor, tudo bem, eu não falei de família, mas se o senhor está decepcionado com ela, em que posso ajudá-lo? -Em nada, estou decidido, amarrei uma corda na grade da cela que eu me enfiei, e eu vou me jogar. -O senhor está preso? -É uma metáfora, um símbolo. -Ah, sim, isso nós conhecemos, temos dois anjos que na certa lhe acompanham se tornar esta metáfora uma atitude. -Senhora, a senhora não entendeu, minha metáfora é a prisão e não o suicídio. -Ah, que bom, estão o senhor vai gostar de saber que o paraíso nós garantimos. -Paraíso? -Em duas vezes, mas somente se levar a coroa consigo.-Senhora eu não sou rei. -Por isso mesmo financiamos o re…

A atriz aposentada / Conto erótico

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Ela gostava de ter visões sobre o futuro em azul e branco e andava pela estrada com suas botas pretas distraída e coberta pelo céu já estabelecido sobre a falta de acaso que há em qualquer lugar e pensava se o rapaz atleta que andava de bicicleta, não pedalava para o seu olhar, e pedalara o atleta, mas na estrada longa de calçada estreita, o cuidado faz a certeza, um passo vago e é a oportunidade de visualizar o carro, branco, refletido na poça d´ água, acumulada no caminho, entre os meninos que sorriam ou me cumprimentavam sem ao menos terem me conhecido. Homens sem camisa, senhores de suas cores, exibiam o peito perfeito no exercício do dia a dia e eu sonhava por companhia, pelo sexo oportuno, que era aquela mata na beira da estrada que o rio entrecortava feito espelho do sol, variantes em tons de amarelo e negro, então apertar o passo é sinal de que chego no centro da cidade antes de escurecer. E escureceu bem na curva, com um carro encostado no que se dizia acostamento para a pre…

Que pássaro esperto / conto erótico

A janela estranhamente ficou aberta por uma distração dos sentidos, a cortina era como uma asa liberta, o vento plantava no chão da escada de ladrilhos, a luz cinza, semente que germinava sombra, e da luz para a sombra um desenho na escada feito pelo sol, que tem o olhar para o mosaico de cores de roupas estendidas, fariam a imagem perfeita do cidadãos que penduram seus calções coloridos, e sempre ausentes dos seus apartamentos vizinhos, fazem crer que são eles os varais estendidos, tentam, na cidade grande, disputando a luz cinza, e seria suficiente se o cinza alimenta-se os passarinhos, mas ele pousou vizinho entre as cortinas amarelas bem no parapeito de sua janela para o meu olhar fortuito, desceu o calção para mostrar sem querer o seu abdômen definido, distraidamente alisou o peito, meio sem jeito, entediado com seu ninho, levantou-se do seu repouso de janela e de costas desceu o calção vagarosamente deixando as nádegas aparentes, úmidas de um banho tomado e foi se secando com a…