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O escritor que roubava livros / conto erótico

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O mosteiro era uma cláusula de pedra rígida de tão antiga que suspirava os bons tempos da idade-média, copiava o monge letra por letra com tinta negra o velho livro dos sabidos evangelhos antigos, doía os dedos de tanto segurar a pena sobre os alérgicos papiros: espirros de palavras e um acento como erro nas páginas, davam a fábula outros sentidos, era o risco, adoecer ou parar o serviço, então a poeira decupava a parábola do jesuíta tranquilo, da inquisição uma vírgula pausou o bom senso do cristianismo, e mesmo assim, copiava, copiava o monge até dar náuseas do esforço repetitivo, 500 anos repetindo o mesmo livro, o jogo das religiões, impossível, evitar os devaneios e escapismos: escreveu agonia, era o que daquela pausa do serviço lhe dava sentido, mas escreveu num papel fora do livro, e outro dia inventou uma capa com figuras geométricas, fez o monge até uma roda de bicicleta e jogava o desenho no cesto. Invariavelmente escrevia na mesa sem percebê-la a angústia da espera represe…