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Mostrando postagens de Junho, 2011

O bom papel * Conto

Ele vagarosamente sentou-se na poltrona do teatro com a esperança e o olhar atento sobre as cortinas, vermelhas-veludo, douradas e inacabadas em seus barrados com anjos depositados nas paredes do teatro e o ar condicionado que não aliviava seu sufoco pelo papel tão esperado, o papel da viúva em um espetáculo de críticas sobre os hábitos e costumes que criam verdumes sobre o fio social. Entrou o diretor com seu pavor de estréia, pressionado em substituir um quase parente, ausente, por que fora fazer novelas.
Era a oportunidade que ele esperava, pois para um ator novo fazer o papel de viúva de um morto, era sucesso na certa. Ouviu o seu nome de susto, e quase mudo, subiu no palco. Um texto de cinco minutos decorados aos espirros com trejeitos de mulher, expressões afetadas de uma burguesia que não desiste entre vaidades e posturas, porém ele se saiu bem, não esqueceu o texto e nenhum trejeito de uma construção distanciada e crítica. Mas o diretor no final dos testes, chamou um , chamou…