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Mostrando postagens de Fevereiro, 2011

Motorista de caminhão * Crônica erótica

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MOTORISTA DE CAMINHÃO

O velho vício palpitava no peito e insistia para que fosse ao bar-mercearia comprar cigarros num dia muito quente, daqueles de tornar o gesto lento e ausente, mas o peito pede a nicotina do dia a dia e de trocados na mão, camiseta e calção, fui, empurrando minha bicicleta de retângulos e entrei no bar, num horário vazio, porém não tão vazio já que um jovem homem que umedecia a garganta com um copo de cerveja e se distraía com paisagens urbanas e o tempo. Tempo de observar, o gesto, o copo, a boca e as pernas, grossas, até que traga o meu cigarro dá tempo de eu imaginar o que há para além do calção, azul, cor que eu mais gosto, marinho como o mar e seu bronzeado marrom dourado nos braços fortes, e para a minha surpresa, sem olhar nos meus olhos, convidou para a cerveja, não teria surpresa se o convite não fosse para tomar na sua própria casa: passa lá, sete horas. Eu não bebo, pensei, mas aceitei, paguei o cigarro e disse, sim, eu irei.
Tomei banho, troquei o cal…

O rei do maracujá * Conto

Um jardim de *Monet de luz sobre a cor, vermelhos violetas de rosas carmim, onde o rio se despi transparente para revelar a carpa colorida e estática, um metro a mais e o braço esticado do homem pobre, alcança, apenas mais um metro, por que o rio não corre e não pode matar a fome do pobre homem. O relógio pendurado na paisagem sem ponteiros, estanca qualquer movimento, mas, o peixe também tem fome.

Num esforço a mais, apenas mais um esforço, moveria o sol um metro para a direita e sua luz endireita, para cintilar o reflexo da água sobre o rio, como cintilantes inspirariam a água, moveria a carpa, até o meu braço, até as minhas mãos, mas, não, nada se move, e o inferno do belo é feio amarelo que não move, vou morrer de fome.
Desistiu, desistiu o homem. caiu seu braço e de estômago apertado de vazio, viu: algo se mexendo! Mas não era a carpa, não era o sol, não era o rio. O pavor tomou conta diante do movimento, estranho, já nem mais me lembro.como era o movimento? Riu, mas quem riu? Qu…