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Mostrando postagens de Novembro, 2010

Asas de um urbano índio * Conto poético

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Tenho olhos de carimbos que me pesam os documentos, braços que no altar de abraços me causam constrangimento, engarrafamento, engarrafo o sufoco novo da fumaça de papel carbono e a cada novo sufoco: fumaça de escapamentos, então escapo, me atirando na poça de água inconcreta da calçada, liberto-me da gravata e bebo passarinhos, água ardente de cipó e grito: yawretê-anhambebe!
Sem expedientes, sou pés descalços com sementes, sementes que buscam outros expedientes, dançam e fertilizam meus pés descalços que vibram, vibram os viadutos do absurdo que giram versos de saias, dança de saias é giro de versos, yawretê-anhambebe, giro de versos é dança de saias, Yawretê, giro de versos, giro de versos...giro minha oca, giro minha saia, giro o meu índio, e o meu suor rega a terra em círculos, suor vermelho, lama de urucum, empenha a cerâmica do meu próprio pote de menino, que a cada contração, Anhambebe, que a cada dilatação, Anhambebe, eu nasço Yawretê, Yawretê!
E na dor do parto, meus joelhos…

Entre o mano e o poeta / Conto Erótico

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Ele tinha nos lábios uma obra que convida para o fogo, olhos de milagres escuros que convidam para o abrigo, qualquer mergulho, partiria para o fogo de seu escuro, então despenquei no escuro de seus lábios lhe cumprimentando do peito até às suas virilhas, já ele, respondeu com palavra de Canabis: de boa, De boa era o máximo que o mano de Canabis responderia e como Canabis é diálogo de sopro, eu resolvi tentar um diálogo mais extenso: para quando o casamento? Hoje em dia, nada à ver. Nada à ver, era a visão de Canabis sobre sua situação, a sua jovem namorada grávida que um dia terá um filho que irá crescer, criará pernas e de um jeito ou de outro eles darão o que comer, mas eu não quero estender palavras de macarrão com limonadas, e nem conversa de moralidades entre comadres, quero minha poesia de paquera, sexo, que para o poeta é pretexto para escrever, mas, impossível ter o mano sem a sua mina, grávida, como esposa repetida, comprometida entre ter e não ser.
Mas eu serei, e já indo …